No alto da serra, envolto pelo verde da mata nativa e pelo ar fresco de Campos do Jordão, um templo da música começou a tomar forma no fim dos anos 1970. O que antes era apenas um projeto ambicioso do governo estadual se tornaria, em pouco tempo, um dos espaços culturais mais emblemáticos do Brasil: o Auditório Cláudio Santoro que inicialmente chamava-se Auditório Campos do Jordão.
A inauguração aconteceu em 12 de julho de 1979, em um dia que entrou para a história da cidade. Na plateia e no palco, estavam presentes o então presidente da República, João Batista Figueiredo, o governador Paulo Maluf, ministros, autoridades locais, além de uma multidão de jordanenses e visitantes emocionados. Um auditório nas montanhas era, à época, um feito quase poético.
O espaço foi pensado para acolher a música em sua forma mais pura e imersiva. Com 900 poltronas, acústica refinada e janelas que emolduram a natureza, o auditório se integra ao ambiente como se sempre tivesse feito parte dele. Sua arquitetura moderna e leve — obra dos arquitetos Giancarlo Gasperini e Orfeu Zamboni — foi erguida sobre uma grande laje sustentada por quatro pilares, permitindo que o interior se abra visualmente para a paisagem da serra. O projeto acústico, assinado por Igor Srenevzky, e o paisagismo de Moisés Chaimovich completam essa harmonia entre técnica e sensibilidade.
Erguido em uma área de 345 mil metros quadrados, com 5.740 metros quadrados de construção, o auditório nasceu já grande — não só em dimensões, mas em significado. Era um símbolo de transformação: um espaço que tornava Campos do Jordão ainda mais viva, mais cultural, mais universal.

Ao lado dele, o Museu Felícia Leirner, formado por esculturas da artista polonesa-brasileira doadas ao governo do Estado, compõe um dos mais belos complexos culturais ao ar livre do país — onde arte e natureza coexistem em sintonia.
Desde então, o Auditório Cláudio Santoro se tornou o coração do Festival de Inverno de Campos do Jordão, palco das apresentações mais esperadas e também da formação de milhares de jovens músicos. Mas ele é mais do que isso: é um lugar onde a música parece respirar junto com a floresta, onde cada nota ecoa com poesia, e onde a cultura se encontra com a alma da montanha.
Ricardo M. S. Gonçalves
Fundador do Guiacampos.com e um dos
apaixonados por Campos do Jordão


