Tarifaço de Trump: o remédio amargo que revela a verdadeira face da extrema direita | Por: Ricardo Gonçalves

Quando Donald Trump anunciou a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, o impacto foi imediato. Mas o que parecia uma medida puramente econômica logo se revelou um gesto simbólico, político — e profundamente ideológico.

Derrubando o pretexto de proteger empregos nos EUA, Trump deixou mais do que claro o real motivo da retaliação: o processo judicial enfrentado por Jair Bolsonaro. Para ele, trata-se de uma “caça às bruxas”, semelhante à que alega sofrer em seu próprio país. O ex-presidente norte-americano exige que o Brasil encerre o julgamento contra Bolsonaro — como se a soberania de um país pudesse ser dobrada por tarifa.

Essa postura escancara algo que muitos setores da economia brasileira, especialmente do agronegócio e da indústria, ainda relutam em admitir: a extrema direita global é, acima de tudo, nacionalista, autoritária e imprevisível.

Durante o governo Bolsonaro, havia uma expectativa entre empresários e exportadores de que a afinidade ideológica com Trump se traduziria em benefícios comerciais. Era o “alinhamento automático” como política externa — uma aposta de risco. O tarifaço mostra que essa suposta parceria era, no fundo, uma via de mão única.

Trump apoia Bolsonaro como símbolo, mas não hesita em prejudicar o Brasil por motivos ideológicos e politicos. E mais: usa o comércio como instrumento de chantagem ideológica, exigindo submissão jurídica de um país soberano.

Um alerta ao empresariado brasileiro

O gesto de Trump deveria servir de alerta definitivo. O mesmo setor que abraçou o bolsonarismo em nome da liberdade econômica agora é penalizado por quem encarna a versão mais radical desse ideário. O nacionalismo econômico da extrema direita não reconhece aliados — apenas interesses momentâneos.

A diplomacia exige pragmatismo, negociação e respeito mútuo. Quando se troca isso por alinhamentos ideológicos automáticos, o país se torna vulnerável — e previsivelmente descartável. O tarifaço de Trump é, nesse sentido, mais do que uma “punição comercial”: é uma aula prática sobre os limites da lealdade ideológica em um mundo regido por interesses.

Setores da economia do Brasil precisam aprender com esse remédio amargo. Não existe solidariedade entre líderes autoritários — apenas conveniência.

 

Ricardo M. S. Gonçalves
Fundador do  Guiacampos.com e um dos
apaixonados por Campos do Jordão

 

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