Ser professor é acolher em todos os momentos dentro e fora da sala de aula

Com a pandemia causada pelo coronavírus, os professores tiveram que utilizar das suas habilidades para continuarem a exercer o seu papel.

No dia 15 de outubro é celebrado o Dia do Professor, que tem como objetivo homenagear esse profissional que tem um papel de destaque no crescimento de todo ser humano. Os ensinamentos semeados pelos docentes fazem parte da construção cognitiva, social, cultural e humana dos alunos. Por isso, a data é escolhida para comemorar a importância crucial do professor em todas as etapas do ensino de um estudante.

A data foi escolhida, pois, em 1827, D. Pedro I sancionou a primeira lei geral sobre o Ensino Elementar, um passo muito importante para a educação brasileira. Após mais de um século, o professor Salomão Becker utilizou a mesma data como um dia de folga para repor as energias. A ideia inspirou diversos lugares do Brasil a fazerem o mesmo e, em 1963, o Dia dos Professores foi oficializado, por meio do Decreto federal nº 52.682.

Com a pandemia causada pelo coronavírus, os professores tiveram que utilizar das suas habilidades para continuarem a exercer o seu papel. Esse é o caso do Prof. Me. Luzimar Goulart Gouvêa, docente no curso de Letras na Universidade de Taubaté (UNITAU), que conseguiu, mesmo com o distanciamento social, se aproximar de sua turma e construir um laço com os alunos.

O mestre em Teoria e História Literária relata um caso na turma em que leciona. Ele conta que os estudantes se uniram ainda mais no formato virtual e que muitas coisas aconteceram durante a pandemia, inclusive, que uma das alunas engravidou durante o semestre e recebeu um grande acolhimento dos professores e dos colegas. “A minha relação com essa turma se deu no início de 2020. Nós tivemos três semanas de aula e depois a pandemia começou. Isso fez com que a gente minimamente se conhecesse. Essa aluna ingressou durante a pandemia, então o nosso conhecimento era apenas virtual. Mesmo com o recente nascimento do bebê ela optou por continuar os estudos e fazer as provas, foi uma decisão dela que nós acolhemos imediatamente”, conta.

“Alguns professores passaram a ter contato com o bebê, que, de certa forma, faz parte dessa turma”, brinca. “O bebê virou o ‘mascote’ da sala e ele está bem acolhido. É uma turma pequena, então há um tratamento afetivo muito grande, muito forte, de respeito, de trocas, de colaboração e de ajuda. É uma turma muitíssimo especial”, continua.

A aluna Talita Oliveira Silva Cari Costa relata que foi muito importante para ela se sentir acolhida, principalmente em um contexto de distanciamento social. “Um exemplo muito bom disso foi quando meu filho nasceu e meus professores e meus colegas fizeram um chá de fraldas para mim. Esses foram os únicos presentes que meu filho recebeu porque a gente não estava encontrando ninguém por conta da pandemia. Naquele momento, eu me senti abraçada, senti uma família me abraçando”, diz.

“Quando eu descobri que estava grávida, eu não fiquei desesperada, porque eu tive esse apoio tanto dos meus professores quanto da sala, que mesmo distantes conseguiram se fazer presentes”

A mamãe de Teo ainda ressalta que esse relacionamento entre ela e os seus professores foi essencial para que continuasse na graduação. “Quando eu descobri que estava grávida, eu não fiquei desesperada, porque eu tive esse apoio tanto dos meus professores quanto da sala, que mesmo distantes conseguiram se fazer presentes”, comenta Talita relembrando das ações do professor Luzimar e também de outras docentes como a Profa. Dra. Adriana Cintra de Carvalho Pinto, a Profa. Ma. Andréia Alda de Oliveira Ferreira Valério e a Profa. Ma. Thaís Travassos.

Estratégias de convívio à distância também foram adotadas pelo docente. Ele relata que, para trazer uma maior interação nas aulas, promove exercícios em que os alunos trocam informações e depois retomam a interação com o professor. “Esse é um dos mecanismos que eu fiz para que eles, pelo menos virtualmente, estejam próximos. Assim, a gente consegue um clima e um ambiente muito gostoso”, expõe.

Durante a graduação, o tratamento humanístico e acolhedor fazem toda a diferença tanto para os alunos quanto para o corpo docente. Assim, além do ensino acadêmico, o universitário também desenvolve o conhecimento das relações humanas, dos vínculos e afetos e somente essa interação pode oferecer esse tipo de aprendizado.

O professor Luzimar ainda conta que uma das suas maiores dificuldades durante a adaptação para as aulas online foi lidar com a tecnologia, um dos principais obstáculos a que a maioria dos docentes teve de se adaptar. Porém, ele afirma que o meio digital também trouxe muitas oportunidades e inovações para as aulas. “Eu tive de correr bastante para poder viabilizar as aulas, mas estou achando muito legal, porque podemos receber em nossos eventos pessoas de diferentes lugares do Brasil. Trouxemos muitos professores para falar com o curso de Letras, essa aproximação com outros pensadores é muito legal”, diz.

De acordo com o professor, cada aluno é um agente transformador, pois auxilia a criar um novo modo de conduzir as aulas. O professor acolhedor sempre observará o meio em que está e irá promover o diálogo e a integração entre a sala de aula. Ele sempre terá um papel essencial na vida de cada estudante e irá trazer marcas positivas na vida do futuro profissional. “Nós, professores do curso de Letras, somos assim, bastante próximos dos alunos. Todos nós somos professores acolhedores e disso eu tenho certeza”, finaliza.

Bianca Guimarães – ACOM/UNITAU

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